Em uma manhã comum de outubro, Carlos entrou em um prédio da universidade acreditando que passaria apenas algumas horas ajudando pesquisadores.

A proposta parecia simples.

Um anúncio no jornal procurava voluntários para participar de um estudo sobre memória e aprendizado.

Em troca, os participantes receberiam uma pequena quantia em dinheiro.

Nada parecia fora do normal.

Carlos tinha 34 anos, trabalhava como contador e gostava da ideia de contribuir para a ciência.

Ao chegar, foi recebido por um homem de jaleco branco que se apresentou como pesquisador responsável.

Tudo parecia extremamente profissional.

Havia pranchetas.

Equipamentos.

Cabos.

Formulários.

E outro participante aguardando no local.

Após algumas explicações, os dois homens realizaram um sorteio para decidir quem seria o “professor” e quem seria o “aluno”.

Carlos ficou com o papel de professor.

Sua tarefa seria simples.

Ler pares de palavras para o outro participante e testar sua memória.

Sempre que o aluno errasse uma resposta, Carlos deveria aplicar um choque elétrico utilizando um painel instalado na sala ao lado.

O pesquisador explicou que os choques eram necessários para avaliar o processo de aprendizagem.

Antes de começar, Carlos recebeu uma pequena demonstração.

A descarga era desconfortável, mas suportável.

Nada que parecesse perigoso.

Convencido de que tudo fazia parte de um procedimento científico legítimo, ele concordou em continuar.

O aluno foi levado para outra sala.

Carlos sentou-se diante de um grande painel cheio de botões.

Cada um deles possuía uma etiqueta indicando uma intensidade maior do que a anterior.

15 volts.

30 volts.

45 volts.

60 volts.

E assim por diante.

A primeira pergunta foi feita.

O aluno respondeu corretamente.

A segunda também.

Mas na terceira, ele errou.

O pesquisador olhou para Carlos e apontou para o primeiro botão.

Carlos apertou.

Nada aconteceu.

Ou pelo menos foi o que ele imaginou.

A sessão continuou.

Mais perguntas.

Mais respostas.

Mais erros.

Mais botões.

Conforme o tempo passava, os níveis aumentavam.

90 volts.

105 volts.

120 volts.

Então aconteceu algo inesperado.

Pela primeira vez, Carlos ouviu uma voz vindo da outra sala.

— Ai!

Ele levantou os olhos.

O pesquisador permaneceu completamente calmo.

— Continue, por favor.

Carlos hesitou por alguns segundos.

Mas apertou o próximo botão.

Algumas perguntas depois, o homem voltou a errar.

Desta vez o grito foi mais alto.

Muito mais alto.

Carlos sentiu um aperto no estômago.

Aquilo já não parecia uma simples pesquisa.

Ele olhou novamente para o pesquisador.

Mas a expressão do homem continuava a mesma.

Fria.

Impassível.

Como se tudo estivesse ocorrendo exatamente como planejado.

Então um novo erro aconteceu.

E o grito seguinte fez Carlos congelar diante do painel.

Pela primeira vez, ele pensou seriamente em interromper o experimento.

Mas antes que pudesse dizer qualquer coisa, o pesquisador pronunciou apenas uma frase.

Uma frase simples.

Uma frase que mudaria completamente o rumo daquela experiência.

O que você faria se estivesse no lugar de Carlos?

Inspirado em um dos experimentos psicológicos mais famosos da história. Personagens e diálogos foram adaptados para fins narrativos.

 

Clique aqui para saber o que Carlos fez (parte 2).

Clique aqui para saber “
Por que Milgram decidiu fazer esse experimento?”

Clique aqui para saber “O que aconteceu com os participantes reais depois” 

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