Bárbara estava sozinha no meio de um imenso galpão industrial desativado, a quilômetros do centro da cidade. Era madrugada.

Como produtora e especialista em áudio, ela havia levado seus equipamentos para mapear a acústica do lugar. O espaço colossal de concreto e ferro enferrujado seria o palco perfeito para um evento focado nas sonoridades mais obscuras e aceleradas da noite, como Darkpsy e Forest. A atmosfera pesada e crua era exatamente o que a pista pedia.

Mas o galpão tinha outros planos.

Para fazer uma pausa, Bárbara desligou os monitores e mutou todos os canais da mesa de som. O silêncio na antiga fábrica deveria ser absoluto.

Foi então que começou.

Primeiro, uma sensação de frio na espinha. Um arrepio que não vinha da temperatura, mas de um instinto primitivo e irracional de que ela não estava sozinha. O estômago afundou. O ar pareceu ficar mais denso, opressivo, difícil de respirar.

Ela olhou para a esquerda. Na periferia da sua visão, uma mancha cinzenta, difusa e com uma forma vagamente humana, estava parada perto de um velho duto de ventilação.

Bárbara congelou. Seu coração disparou, batendo forte contra as costelas. Ela virou a cabeça rapidamente para encarar a figura de frente, mas ela desapareceu no ar.

Ela respirou fundo, tentando convencer a si mesma de que era apenas o cansaço cobrando a conta.

Mas a mancha voltou a aparecer no canto do olho. E o sentimento de terror absoluto — um pânico paralisante que gritava para que ela corresse para salvar a própria vida — tomou conta de cada músculo do seu corpo.

A grande maioria das pessoas teria fugido. Teria abandonado os cabos, as controladoras e espalhado a lenda de que a velha fábrica guardava as almas perturbadas de antigos operários.

Mas Bárbara percebeu um detalhe minúsculo: uma pequena poça d’água no chão de concreto rachado estava vibrando levemente.

Ela não correu. Ela abriu seu notebook e ativou o software de análise de espectro de frequência.

O que ela viu na tela daquele equipamento revelou um dos maiores e mais sombrios segredos da percepção humana. O que estava naquele galpão com ela?

➜ Clique aqui para saber a história inteira (parte 2)

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *